quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Para uma Transreligiosidade sem Fronteiras

                                                   CÍRCULO HOLÍSTICO ARCA DA MONTANHA AZUL:
                                                            Para uma Transreligiosidade sem fronteiras . 
                                                   (Uma nova tecnologia de Trabalho com Plantas Sagradas)
           
            “Um amor universal: não apenas é uma coisa psicologicamente possível; mais ainda: trata-se do único modo final e definitivo, pelo qual podemos amar.”

                            Teilhard de Chardin


            “Grande Mistério, ensina-me a honrar
   As leis do Espaço Sagrado,
   Os costumes e Tradições,
   De todos os credos e raças.
 Grande Mistério, ensina-me a desenvolver                                      Os talentos que possuo
    E a me comportar com respeito
    Na casa dos outros.
    Grande Mistério, ensina a criança que há em mim
     A aceitar com graça
     A parte do Mistério Sagrado
     Encontrado em todos os espaços.”
                                                           Jamie Sams   



        “A Fonte do Ser”
                        “Permite que a Fonte do Ser mantenha o contato contigo: ignora as impressões e as opiniões do teu eu ordinário. Se este eu te fosse de valor em tua busca, haveria encontrado a realização para ti. Porém tudo o que pode fazer é depender dos outros.”
                                              Amin Suhrawardi
           
             Um dos principais alimentos para a crise existencial/ perceptual/ ética/ religiosa, que acontece no mundo de hoje, decorre da Babel espiritual e intelectual em que se encontra o homem moderno. Se o objetivo universal é um mundo melhor por que não cingirmos uma cruzada a favor da Paz sem fronteiras? Imaginemos a força que teríamos se todos os religiosos do mundo nos déssemos as mãos em torno das questões que, em verdade, são universais e as mesmas para todos nós.
          Ora, se digo buscar a paz, mas, falo mal do caminho espiritual do meu próximo considerando-o equivocado, “primitivo”, “rival” ou “do demônio”, etc., na prática não estou trabalhando pela Paz e sim pela desunião, e fortaleço o fantasma da injustiça e desigualdade entre os Filhos de Deus. Assim se trabalha pela destruição e pela guerra.
        Ensina-nos o beneditino, doutor em Teologia, Anselm Grun, acerca da sabedoria dos padres do deserto: “(...) Sim, para os monges, o não-julgar era um critério para o caminho certo. Pois quem julga os outros ainda não aprendeu a conhecer-se realmente. Hoje em dia, existem muitos movimentos piedosos que vivem às custas dos outros. Eles se definem na medida que ficam rebaixando e ultrajando os outros. Quando alguém tem necessidade de amaldiçoar os homens por seguirem um outro caminho espiritual, isso será sempre um sinal de que seu caminho não é correto. Sua maldição revela o demônio no próprio coração, realidade, porém, que ele não admite. Nestas horas ele recalca e projeta este demônio sobre os outros”  Agindo assim acabamos alimentando a estreita visão de que “minha religião é a melhor e única”, não percebendo a óbvia realidade de que todos temos a aprender com todos, pois Deus revelou-Se a todos os povos e culturas de todos os tempos sob diferentes formas e linguagens. Conhecer outras maneiras de compreender e contatar Deus encontradas em religiões diversas da que abraçamos, pode nos auxiliar a enriquecer nossa concepção própria da religação, nos fornecendo chaves importantes para ampliar e aprofundar a vida espiritual dentro do caminho que escolhemos. Tenho atestado este fato em minhas pesquisas e experiência com estados não-ordinários de consciência.
         Conforme nos mostra o mestre Jalaludin Rumi “(...) prestar atenção apenas em nomes e formas exteriores, e não no espírito e na essência da religião, leva ao erro e à desilusão.”  Ele ilustra esta tese através da seguinte anedota:
            “Quatro pessoas, um persa, um árabe, um turco e um grego estavam viajando juntas e receberam um dinar de presente. O persa disse que com isso ia comprar “angur”, o àrabe disse que compraria “inab”, enquanto o turco e o grego eram a favor de comprar “usum” e “astafil” respectivamente. Ora, todas essas palavras significam a mesma coisa, a saber, “uvas”; mas, devido à ignorância que cada um tinha da língua dos demais, imaginaram que queriam comprar coisas diferentes, e assim levantou-se uma violenta discussão entre eles. Por fim, um sábio que conhecia todas as suas línguas apareceu e explicou a eles que todos desejavam a mesma coisa.”`
            No espantosamente atual livro atribuído à Lao-Tsu, o “Hua Hu Ching”, encontramos um diálogo sumamente esclarecedor acerca da questão do apego às formas exteriores das Religiões:
            “Venerável Mestre, quais são as características de alguém que amadureceu espiritualmente?”
            “Gentil príncipe, a pessoa espiritualmente amadurecida não segue uma religião dualista. A maioria das pessoas reverencia a descendência, ao passo que quem é maduro espiritualmente acolhe a Fonte e jamais se torna escravo de nenhum movimento social ou religioso. Ele considera o mundo como sua família e aceita todas as pessoas como seus irmãos e irmãs. Presta seu serviço a todos e não espera recompensa. Foi além de todos os obstáculos relativos à percepção e consegue enxergar através de todos os variados nomes que criam discriminação e hostilidade; entretanto, respeita a variedade natural e as diferenças, além de tratar todas as coisas como iguais entre si.”
       Jung nos recorda que apesar de as religiões se fundarem em bases eternas, arquetípicas, suas roupagens rendem tributo ao temporal e efêmero, necessitando portanto, de constante revivificação e de se refundirem em novas formas. Seguimos o dito de Jesus onde, o “Vinho Novo” da experiência viva e renovada, da revelação direta, necessita de “Novos Odres”, novas formulações, para permanecer vital e atual.
Paul Tilich nos recomenda que não deve cessar entre nós a luta por libertar as profundezas essenciais da religião das distorções que provém de suas particularidades: ”Portanto, ao dialogar com outras religiões, não podemos tentar sua conversão; pelo contrário, devemos tentar dirigir as outras religiões às suas próprias profundezas, até aquele ponto em que percebam que são testemunhas do Absoluto, não elas próprias o Absoluto.” Complementa Anna Lemkow: “Uma religião é tanto mais verdadeira quanto mais apontar além de si mesma para aquilo do qual é testemunha e manifestação parcial. No encontro com outras religiões, o objetivo desejável é a penetração mútua até aquele ponto no qual a visão do próprio sagrado nos libera da servidão a quaisquer  das manifestações particulares do sagrado.”
            Hermann Hesse descreve uma “Porta Estreita” que algumas almas tocadas pelo universalismo experienciaram em diversos tempos e lugares:
            “Evito desorientar os adeptos de uma Igreja ou comunidade religiosa em sua crença. Para a maioria das pessoas, é muito bom pertencer a uma Igreja e a uma crença. Aqueles que dela se separam enfrentam logo em seguida uma solidão e muitos passam novamente a suspirar pela comunidade anterior. Só no fim do caminho descobrirão que entraram numa nova comunidade, grande mas invisível, que abrange todos os povos e todas as religiões. Ficarão mais pobres de tudo que é dogmático e nacional, e mais ricos através da irmanação com os espíritos de todos os tempos e de todas as nações e línguas.”
            Este estado é magistralmente descrito pelo grande mestre Jalal ud-Din Rumi em um poema místico intitulado “O que não sou”:
            “Que devo fazer, ó muçulmanos,
            se já não me reconheço?

            Não sou cristão, nem judeu,
            nem mago, nem muçulmano.   
            Não sou do Oriente, nem do Ocidente,
            nem da terra, nem do mar.

Não venho das entranhas da natureza
            nem das estrelas girantes.
            Não sou da terra, nem da água
            nem do fogo, nem do ar.

            Do empíreo não sou,
            nem do pó deste tapete.
            Não sou da tona, nem do fundo,
            nem do antes, nem do depois.

            Nem da Índia, nem da China
            nem da Bulgária, nem de Saqsin;
            não sou do reino do Iraque,
            nem da terra de Khorassan.
           
            Nem deste mundo, nem do próximo,
            nem do céu, nem do purgatório.
            Meu lugar é o não-lugar,
            meu passo é o não-passo.

            Não sou corpo, não sou alma.
            A alma do Amado possui o que é meu.
            Deixei de lado a dualidade,
            Vejo os mundos num só.
                       
            Procuro o Um, conheço o Um,
            vejo o Um, invoco o Um.
            Ele é o Primeiro e o Último,
            o exterior e o interior.
            -Nada existe senão Ele.(...)”

            As pesquisas recentes provenientes de diversas fontes apontam para o dado inexorável de que a alma possui uma dimensão cósmica e é inexoravelmente ecumênica. Em várias vidas passamos por diversos caminhos espirituais e muitos de nós, quer ocidentais ou orientais, trazemos em nós formas religiosas que transbordam do meio religioso em que fomos criados: as religiões do Oriente, Budismo, Hinduísmo, Sufismo, o Xamanismo, Mistérios Egípcios, Gnose, cultos antigos e medievais, e outras “afinidades” espirituais que, usualmente, não sabemos de onde vem.
Ao experienciarmos, em um estado de consciência amplificada, por exemplo, meditação, trabalho xamânico, Terapia de Vidas Passadas, etc., percebemos que vivenciamos afinidades profundas com formas religiosas e culturais que não conhecíamos nesta vida e a sensação de familiaridade é total.
Cercear a alma dentro de apenas um invólucro religioso é repressivo e anti-natural. Encontramos em nosso abençoado Brasil, abundante de oportunidades de contacto com múltiplas e diferentes formas da vida religiosa, que coexistem e se entrecruzam para formar nossa consciência espiritual, pessoas que apresentam em uma cosmovisão religiosa, sua própria síntese entre os elementos plurais que absorveram no convívio com várias formas de religiosidade ao longo do seu processo existencial.
            A orientação da Arca, enquanto espaço não-doutrinário, não-diretivo, “Escola do Espírito Santo”, é pela experimentação, pela gnose ou conhecimento direto, vivencial, guiado pelo Eu- Superior, Si-Mesmo, Atman, Cristo interno, Mestre Interior, Guia, Anjo da Guarda, etc...
Conforme o sugerido pelo texto do budismo primitivo,Kalama-Sutta: “Não creiais na fé das tradições, quaisquer que sejam seus méritos e honrarias, através de muitas gerações e em muitos lugares; não creiais numa coisa só porque muitos crêem nela; não creiais sobre a fé dos sábios do passado; não creiais no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou. Não creiais em nada sobre a única autoridade de vossos mestres e sacerdotes. Após exame, crede no que vós mesmos experimentardes e reconhecerdes razoável, no que for conforme o vosso bem e ao bem alheio.”
            Um sábio discípulo, que era o príncipe do país pediu que Lao-Tsu os instruisse acerca de como “(...) deveriam os homens e mulheres inclinados a obter a consciência exata da sua verdadeira natureza acalmar a sua mente? Por que senda deveriam seguir a fim de harmonizar sua mente com todos os aspectos da vida?”
            “Respondeu o velho mestre: ”Ora, ora, alguém virtuoso e íntegro cuida de quantos praticam a virtude e o altruísmo. Alguém virtuoso e íntegro também orienta os que não praticam a virtude e o altruísmo, como disseste.
            “Escuta o que te digo. Qualquer pessoa boa inclinada a obter a consciência de toda a verdade deveria seguir o Caminho Universal para abrandar a mente e para harmoniza-la com todos os aspectos da vida.”
“(...) Todos os meus amigos e discípulos deveriam harmonizar a mente com toda a vida e não ter nenhum antagonismo com respeito a qualquer ser vivo, quer quer tenha nascido do ventre, do ovo, da umidade ou de qualquer outro tipo de transformação; quer seja ou não de pensar; quer tenha forma ou seja informe. Vós deveríeis acabar com toda discriminação individual e absorver todas as coisas na unidade harmoniosa”.
            “A virtude do ser muito desenvolvido acolhe todas as pessoas e coisas e dissipa as trevas que os isolam. Conquanto vidas sem conta sejam iluminadas, a que não tem consciência do todo na verdade não ajuda ninguém. Por que é assim? Gentil príncipe, se a pessoa ainda possui os conceitos mentais da divisão do eu e dos outros, do masculino e do feminino, da longevidade e da brevidade, da vida e da morte, e assim por diante, em sucessão ilimitada, a pessoa não possui a consciência que a tudo abarca.”
            Sendo assim ele sugere que “A pessoa não deveria limitar seus serviços fazendo distinção com base na cor, na nacionalidade, na família ou nos relacionamentos sociais, nas percepções sensoriais, ou em quaisquer outras condições relativas. Limitar os modos por que uma pessoa prestaria serviços aos demais para ser condizente com suas preferências pessoais é, em si, coisa prejudicial.”
            Num mundo globalizado e interdependente é essencial nos darmos as mãos, árabes e judeus, muçulmanos e cristãos, espíritas e evangélicos, espiritualistas e ateus materialistas, a solidariedade é, atualmente, um imperativo de convivência pacífica e da própria sobrevivência e salvação do planeta. Dessa maneira, nos deparamos com a situação inexorável descrita pelo psicólogo clínico, professor de psicologia e ex-pastor Dadid Elkins, que “nunca antes na história do mundo tantas pessoas tiveram tanto contato com tantas culturas diferentes da sua própria.”
Continuando a argumentação ele traz à luz a vivência inexorável de muitos de nós, que nos ensina algo decisivo e profundamente espiritual: “Como estamos expostos a essas realidades múltiplas, torna-se cada vez mais difícil manter nossa própria realidade como a única verdadeira. Somente os mais protegidos dentre nós são capazes de faze-lo. A maior parte de nós é forçada a reconhecer que existem outras realidades tão viáveis quanto a nossa e que o que temos por verdadeiro pode ser mais relativo do que gostaríamos de reconhecer.” 
Isso explica, de certo modo, algumas indecisões de muitos, que oscilam entre várias realidades representadas por diversas instituições religiosas que se contradizem mutuamente, frequentando a igreja cristã, o astrólogo, o centro espírita, a meditação, o yoga, etc., embora com conflitos, buscando realizar sua síntese pessoal em uma singular relação com o sagrado, com Deus.
Concordamos com o que David Elkins propõe neste ponto de nossa reflexão: “Esse colapso de nosso centralismo religioso e a abertura de nós mesmos a outras tradições é o primeiro passo na nossa evolução espiritual”. Perfeitamente sintonizado com a perspectiva espiritual canalizada que sempre tivemos e é a base da Arca da Montanha Azul, fazemos nossas suas palavras: “Se estamos aptos a avaliar nossa própria tradição religiosa com a consciência de que ela não detém o monopólio da verdade espiritual, então podemos respeitar outras tradições e abrir o nosso coração para o que elas têm a oferecer”.
            Existe um grande obstáculo a essa proposta que temos de trabalhar em nossas instituições e ensinamentos espirituais e, principalmente, em nossos corações: “Mas não é fácil nos abrirmos para outras perspectivas. Muitos de nós aprenderam que questionar a própria religião ou investigar as religiões dos outros é errado e até mesmo um ato de blasfêmia contra Deus e de traição à nossa tradição. Tabus religiosos como esses estão muitas vezes profundamente enraizados na psique humana, e é preciso muita coragem para transcendê-los. Mas, por difícil que possa parecer, vejo a relativização de nossa tradição e a abertura para outras perspectivas como o primeiro passo em direção à maturidade espiritual”.  Para além da percepção de que “(...) existem muitos meios de cultivar a alma que nada tem que ver com religião” nos defrontamos com a necessidade de assumirmos a responsabilidade pelo próprio desenvolvimento espiritual, usando o discernimento para filtrar o que está conforme nossa consciência na tarefa, em parte sempre solitária, de cultivo de nossa alma.
            Nesse percurso de universalização dos corações e mentes, a transformação das antigas crenças, embora sofrida, se faz indispensável, e, “(...) a incompreensão por parte da família e dos amigos pode ser quase devastadora”, como sugere David.
            Mas, temos igualmente a consciência de que, esta é a Redenção da Torre de Babel, conforme nos prega a filosofia da Arca, e de que trabalhar pela união no respeito e na diversidade de todas as Tradições espirituais nesse momento histórico, é a tarefa mais sábia e prudente que podemos realizar. Desse modo nos conforta David: “Mesmo assim, nosso nascimento para uma consciência espiritual mais ampla é, em última análise, compensador. Irrompemos numa nova realidade que transcende o confinamento estreito de nossa própria cultura e credo. Nossa identificação move-se, para além do nosso clã, em direção à espécie humana como um todo, quando percebemos que os anseios espirituais de nosso próprio coração são a canção universal de toda a humanidade. O universo torna-se o nosso templo, a terra, nosso altar, e a vida diária, o nosso pão sagrado. As tradições orais, a literatura da sabedoria e o acervo espiritual do mundo tornam-se nossas escrituras, e toda a humanidade, independentemente de nação, raça, cor ou credo, torna-se a nossa congregação”. Esta é a meta do preparo espiritual da Arca, uma inter-religiosidade na base, sem hegemonia de uma tradição sobre a outra, numa abordagem radicalmente plural.
            Vale a pena explicitarmos melhor o que definimos por pluralismo, a marca registrada do caminho espiritual do membro da Arca, uma proposta a ser inserida em todas as instituições religiosas. Assim o define o analista junguiano Andrew Samuels: “O pluralismo é uma atitude em relação ao conflito que tenta conciliar diferenças sem impor uma falsa solução para elas e sem perder de vista o valor próprio de cada uma destas posições. Enquanto ideologia, o pluralismo busca manter a unidade e a diversidade em equilíbrio - uma batalha tão antiga quanto a própria humanidade- em religião, filosofia e política, para suportar as tensões que se criam entre o uno e o múltiplo.” 
            Dentro dessas perspectivas, desembocamos em algumas posturas e conclusões que convergem perfeitamente com as colocações de frei Leonardo Boff: “O politeísmo não representa um estágio inferior da evolução religiosa rumo ao monoteísmo. Bem compreendido, não quer tanto afirmar a multiplicidade de divindades, mas as mil faces da mesma e única Divindade, do único Mistério de comunhão, vinculado à dinâmica aberta do mundo e do espírito. O monoteísmo, por sua vez, caminha pari passu com o surgimento de visões imperiais unitaristas que empobrecem a polivalência do sagrado.”
            Ao acabar o Dilúvio Noé viu brilhar um Arco-Íris no céu. Esta imagem é o símbolo e o selo de uma nova aliança entre Deus e os homens. Para algumas tribos de índios norte-americanos existe a idéia de que a Roda do Arco-Íris representa a promessa de paz entre todas as Nações e entre todo o Povo. A Raça do Arco-Íris vem reforçar a igualdade entre as Nações e se opõe à idéia de uma raça superior que controlaria ou conquistaria as outras raças.”
Fica aqui comprovado que essa visão unificadora não é algo isolado em uma dada cultura ou comunidade. Ela talvez represente a esperança de entrarmos em uma nova era de cooperação, prosperidade para todos e de paz definitiva. Para sua materialização é necessária a contribuição e responsabilidade de cada um de nós. Só assim inauguraremos, aqui e agora, um futuro melhor para toda a humanidade. Que Deus nos ajude nesta grandiosa tarefa!
Rio, 21 de março de 2003.
Philippe Bandeira de Mello.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mestre Irineu e Seus Companheiros


A História do Brasil ensinada para nossas crianças e jovens, carentes de referências e exemplos de vidas construtivas, ao focalizar reis e rainhas, militares e políticos, personagens que nem sempre preenchem de maneira salutar esta lacuna, pouco ou nada faz referência aos mestres, curadores e cientistas, que dedicaram sua vida a ensinar, a tratar, a perscrutar novos caminhos para a expansão da consciência, para reeducação e terapia, e para o aprimoramento ético de nosso povo. Gostaria que, nas aulas de História do Brasil, se falasse sobre a história de grandes brasileiros, dentre eles, Mestre Irineu, Frei Daniel, Mestre Gabriel, Dra. Nise da Silveira, e muitos outros, com obras edificantes e de repercussão internacional, aportando exemplos de dedicação a ideais que são remédio para a situação de crise de valores que ora atravessa toda a humanidade.
Mestre Irineu foi um pilar espiritual cuja importância cresce com o passar do tempo e com o aumento de consciência da decisiva relevância de sua missão, religiosa e psicológica, para a transformação salutar da psique e da sociedade humanas que urge se realizar em nosso tempo moderno. Pioneiro em trajetória e campo incomuns, desbravador dos continentes interiores, arauto do resgate de uma decisiva visão ancestral da realidade invisível que nos cerca, comparo Mestre Irineu, nosso querido Padrinho, o grande patriarca da doutrina do Santo Daime, como alguém, qual Moisés, que foi destinado a guiar o povo, escravizado pelas formas exteriores e esvaziadas de religião, de uma vida espiritual sem a experiência direta com o sagrado, através dos desertos de um processo psico-espiritual misterioso rumo a um novo patamar de consciência, com o auxílio do Maná (o Santo Daime), da via da revelação divina, que conduz o buscador para a “Terra Prometida” de uma existência mais plena conduzida por Deus, pelos Seres de Luz ou pelo Eu Divino (o Si-Mesmo em termos psicológicos).
Mas, o que é o Santo Daime? O Santo Daime constitui o mais excelente remédio para a crise perceptual, ética e espiritual que atravessa nosso mundo. Conforme demonstro em meu livro, longe de ser uma droga, representa uma tecnologia ancestral, muito avançada, resgatada pelo nosso amado pioneiro, desbravador de caminhos novos.
Uma das revolucionárias propriedades misteriosas dessas especiais Plantas Sagradas que descrevemos em nossa pesquisa e que as distinguem das drogas, perigosas e alienantes, é a de educar, ensinar, de tal maneira que têm sido nomeadas de Plantas Mestras ou de Plantas Professoras. Dentre as suas várias propriedades misteriosas, a dimensão pedagógica da experiência por elas proporcionada é tão surpreendente quanto reconhecida por mestres e seguidores de diferentes linhas e escolas. Para terapeutas junguianos e transpessoais, é um dado familiar, inexorável e espantoso, o de nos darmos conta do quanto podemos aprender a partir de experiências com as dimensões mais profundas de nossa própria psique. Reconhecendo esta função de guiar que está presente na alma humana, Jung nos ensina que “(...) o inconsciente, às vezes é capaz de mostrar uma inteligência e intencionalidade superiores ao juízo possível no momento.” Sem dúvida, o Santo Daime / Vegetal atesta o fundamento sólido da posição que marca uma das mais importantes divergências entre Jung e Freud: a descoberta da função orientadora interior, da capacidade de guiar que o inconsciente possui, com amplas repercussões para a prática da psicoterapia, para o processo de desenvolvimento psicológico, a individuação, e para a compreensão de uma das mais importantes e surpreendentes propriedades destas “Plantas dos deuses” ou Enteógenos. Todos os mestres, padrinhos, xamãs e sacerdotes experientes são unânimes em afirmar que a Bebida Sagrada ensina. Uma pessoa pode tornar-se um mestre, padrinho ou xamã usando a Ayahuasca ou Santo Daime, mas, não utilizando uma droga.
A partir dessa propriedade, vemos surgir novas revelações, novas técnicas e rituais, maneiras de trabalhar com o Enteógeno, de uso muito antigo, a partir das próprias experiências com ele, como se ele estivesse nos ensinando caminhos novos, capítulos novos, instruções renovadas. Mestre Irineu, alma de ímpar envergadura interior, “aprendeu” com o Daime, com a Virgem da Conceição, entre inúmeras coisas, a sua Doutrina, os símbolos adotados, sua musicalidade, o Fardamento, os Hinos com a mensagem de um novo Caminho espiritual com poder para despertar o homem contemporâneo da inconsciência acerca do valor do cultivo da alma, da vida espiritual, da reverência para com a Mãe Natureza e seus Mistérios Sagrados e os principais elementos de seu Trabalho sagrado. Além da beleza musical e poética, da simplicidade profunda dos ensinamentos, precisamos considerar que esta via de “religação” se difundiu pelo mundo e conquistou muitos adeptos, promovendo intensas experiências místicas, inclusive em pessoas que não falam o português, aprendendo assim, diretamente do Santo Daime, algo tão significativo que tem sido capaz de transformar suas vidas. Para descobrir as riquezas do nosso Pai criador, Mestre Irineu, após a Viagem Sagrada (hino 89) de aprendizado com a Mãe Divina, por meio da “Voz” (e da Visão), que se anuncia em tom imperativo (conforme as descrições de Jung acerca da fenomenologia do Si-Mesmo), funda uma religião gnóstica moderna que, conforme sua percepção avançada no tempo e no espaço, teria o destino de “doutrinar o mundo inteiro”, tendo alcançado, até agora, eficaz penetração em vários países, expandindo-se e tendo seu valor reconhecido em muitos lugares fora do Brasil. Nenhuma droga alucinógena conhecida foi capaz de desenvolver em torno de si tantas excelentes e riquíssimas manifestações culturais, conquistando respeito e credibilidade diante de tantos membros produtivos de nossas sociedades, alguns com sólida formação científica. A Pedagogia dessas Plantas é ampla e supra-racional, auxiliando as pessoas a perceberem o fantástico, o “paranormal”, o mítico, o mágico, as sincronicidades que existem em suas vidas, contribuindo para uma visão mais holística, mais abrangente e integrada da realidade que nos cerca. Conforme constata o pesquisador e colega Ralph Metzner: “A utilização da ayahuasca por algumas igrejas brasileiras vem ganhando milhares de seguidores nas Américas do Sul e do Norte, e também na Europa, crescendo assim, vertiginosamente em número e influência. Encontramo-nos, portanto, diante de uma substância que tem contribuído profundamente para a modificação dos indivíduos, e que já começa a fomentar alguma coisa muito próxima de um amplo movimento de transformação cultural.” Assim, temos fundamentação abundante para o reconhecimento da Ayahuasca / Santo daime / Vegetal / Yagé, como patrimônio imaterial brasileiro.
Nessa Missão sagrada de resgate dos saberes ancestrais e de inovação cultural por meio deles, é inestimável o papel de Mestre Irineu, um grande brasileiro revolucionário da consciência, da religião e da nossa cultura!
Philippe Bandeira de Mello- 12/ 11 / 2010

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

26 Jan 2011 *Sacred Medicine Festival* - Alto Paraíso, Brasília

*Reproduzido do site oficial do Templo Mãe D'agua, Ayahuasca Dreams: http://www.yatra.yage.net/

“Sacred Medicine Festival”
A Gathering For World Peace
(26th / 19:00 Ritual with Philippe Bandeira – Arca da Montanha Azul (Mãe D’agua))

Alto Paraiso – Goias - Brasil
Un dos principais centros de Ayahuasca e Vida Alternativa

15 - 31 de Janeiro, 2011
Estamos muito felizes de apresentar nosso primeiro “Sacred Medicine Festival” (Festival de Medicina Sagrada) acontecendo no Templo “Mãe D’agua” e “Jardim de Juramidam”.
O Festival apresenta várias tradições de Ayahuasca e a "Native American Church" (Igreja Nativa Americana), muitos diferentes rituais, e a Arte Visionária Ayahuasqueira Peruana.

January 15th till 31st, 2011
We are proud to present our first “Sacred Medicine Festival” happening at the Temples “Mãe D’agua” and “Jardim de Juramidam”.
This Festival introduces a variety of traditions of Ayahuasca and the Native American Church, in several different rituals, and the Ayahuasca Visionary Art from Peru.


The many languages and belief systems expressed through the sacred medicines will enhance your spiritual search.
Many types of music will be played during this event, celebrating the divine.
We will also have a “Feitio” (the making of ayahuasca) for you to participate and see how this sacred medicine is made.
The “Feitio” will start with harvesting the plants in our ethno-botanical gardens, to prepare it for cooking.
The sacred drink will be served throughout the “Feitio”.
“Our Festival is a prayer for world peace and the evolution
of the collective consciousness”
On line booking closed
Further bookings please go to EcoNois, Alto Paraiso, 11:00AM to 17:00 PM,
from Jan. 14th and everyday during the festival
EcoNois is our Meeting Place
Rua Ari Ribeiro Valadão, the main road of Alto Paraiso next to Banco do Brasil. The check in, donations, sign of the term of responsibility, tickets and the transport to the temple will all be done at EcoNois. For last minute registration, food, sharings, hanging out, visionary Ayahuasca art, indigenous art, etc...
Meet us there!!!
Program:
15th / 19:00 Caboclo’s Ritual with Yatra (Mãe D’agua)
16th / 19:00 Ritual with Colombian Curandero Mao Tanka and Raja (Mãe D’agua)
17th / 19:00 Ritual with Bané – Caxinawá tribe (Mãe D’agua)
18th / 19:00 Cura Ritual with Yatra (Mãe D’agua)
19th / 19:00 Native American Cerimony with Kuauhtili Mexica (Mãe D’agua)
20th / 15:00 Harvest Ritual for the “Feitio” (Mãe D’agua)
20th / 20:00 Ritual with Colombian Curandero Mao Tanka and Raja (Mãe D’agua)
21st / 12:00 to 18:00 Ritual to open the “Feitio” (Jardim de Juramidam)
21st / 20:00 Ritual to open the “Feitio” (Jardim de Juramidam)
22nd / 19:00 Ritual with Darshan (Jardim de Juramidam)
23rd / 12:00 till 18:00 “Feitio” Ritual (Jardim de Juramidam)
23rd / 20:00 “Feitio” Ritual (Jardim de Juramidam)
24th / 19:00 Ritual with Bané – Caxinawá tribe (Mãe D’agua)
25th / 19:00 Ritual with Kogi Mamo elder Akindue from Colombia and Kathi (Mãe D’agua)
26th / 19:00 Ritual with Philippe Bandeira – Arca da Montanha Azul (Mãe D’agua)
27th / 19:00 Celebration Ritual with Yatra (Mãe D’agua)
28th / 19:00 Ritual with Darshan (Jardim de Juramidam)
29th / 19:00 Santo Daime Ritual – Cura with Neves and Maurilio (Mãe D’agua)
30th / 19:00 Ritual with Colombian Curandero Nando and Kathi (Mãe D’agua)
31st /19:00 Native American Ceremony with Kuauhtili Mexica (Mãe D’agua)
The program is flexible and can change.
Facilitators:
Yatra
Grandmother and Natural Healer
Founder of “Friends of the Forest” in Amsterdam”.
Leading rituals around the world since 1993. Implemented the first drug addiction treatment program with ayahuasca in Europe.
Founder of “Centro de Concientização dos Amigos da Floresta” and
Temple “Mãe D’agua” In Alto Paraiso.
Well known for her ayahuasca music.
Produced several CDs.
Team from the Temple “Mãe D’agua”
Includes professional musicians, experienced healers and helpers
working with Yatra for the last 16 years
Hernando Villa
Colombian Curandero.
Has worked with the Camsra, Kogis, Sionas, Kofanes and Emberas
indigenous groups, the ways of plant medicine, and ancient wisdom.
He offers his music in prayer circles,
with tribal elders, and in youth leadership projects.
His prayers are focused around the temascal, pipe ceremonies,
and medicinal purification.
Kathi
Dancer/Healer from Germany/South Africa
honors the Voice of the
Grandmother and supports the Prayer of the Woman.
She prays with the elements, and their purifying powers,
has spent time with elders from many tribes in Africa, the Lakota,
Navajo and Cherokee of North America and the
Camsra and Kogi of Colombia.
Akindue
Akindue is a Mamo elder from the Kogi Nation of northern Colombia. He carries ancient knowledge of South America. Akindue leads ceremonies with the sacred plant San Pedro/ Aguacoya with prayers and songs for the healing of mother earth’s waters.
Mao Tanka
Colombian Curandero.
Leading ceremonies for many years.
Disciple of the Putumayo’s elders and Amazonian tradition.
Well known for his vast knowledge,
offering rituals around the world.
Raja
German Musician.
Plays with Carioca for many years.
Leading rituals with Mao Tanka.
Together they’ve created a unique and powerful
combination of Amazonian tradition from Colombia
and the music Spirit of Carioca.
Bané
Native Caxinawá Indian
Leading rituals from the
Amazonian tradition
Disciple of the tribe’s Elders,
was chosen to continue
their tradition into the new generation of the tribe.
Darshan
Founder of the Templo
“Jardim de Juramidam” in Alto Paraiso
She has the “Casa de Feitio”, and prepares a potent “Ayahuasca
Brew” according to Amazonian tradition.
She will be leading the “Feitio” (the making of the ayahuasca)
during the Festival,
kindly sharing her knowledge with us all.
Neves - Santo Daime
Santo Daime is the most well known tradition of Ayahuasca in Brasil.
Founded by Mestre Irineu and followed by
Padrinho Sebastiao.
Neves is the daughter of Padrinho Sebastião, and will present
the Cura (healing) Ritual from her father.
Maurilio – Santo Daime
The main maker of ayahuasca
from the Santo Daime in the Acre Amazons.
With his wife, Neves, they direct the Community "5000" in
Rio Branco, founded by her father, Padrinho Sebastião.
Philippe Bandeira
Founded in 1989, the first Barquinha
Church outside Acre, in Rio de Janeiro.
In 1997, he founded and directs up to today,
the holistic circle “Arca da Montanha Azul” also in Rio,
an ecumenical space for investigation,
and interchange between the
Sacred Traditions, with the ritualistic use of ayahuasca.
Kuauhtli Mexica
A Sundancer and Mexica-Aztec dancer.
Leading Peyote Ceremonies for over 30 years, within the tradition
of the Native American Church with the
“Sacred Water Drum” and “Half Moon Altar”.
Ayahuasca Visionary Art from Peru
Pablo Amaringo, Anderson Debernardi and Felix P. Aguirre
The Temple “Mãe D’agua”
It is 1.8 KM up the hill from the Village Alto Paraiso.
There will be transport available from the village to the temple and back on the days of the rituals.
The transport will leave from the main street of Alto Paraiso,
Rua Ary Ribeiro Valadao, in front of "EcoNois", next to Banco do Barsil.
It will start 1:30 hour before the beginning of the ceremonies till 15 minutes before. it will be coming and going to pick up more people. It will cost R$8,00 to go to the Temple and R$12,00 to come back from the temple (in the middle of the night), per person.
The Temple “Jardim de Juramidam”
It is in the Village at a walking distance from the guesthouses.
What to bring:
Rain coat
Flash light
Sleeping bag to seat on
(The temple will provide only a straw mat on the floor).
Please take your shoes off, before entering the temple.
Dress in warm WHITE CLOTHES
(It can get cold)
Minimum Donation in Brazilian Reais:
R$ 75,00 per person per ritual
Space is limited.
Participation only with reservation and booking.
Alto Paraiso
We do not arrange accommodation for the Festival.
You can contact
They have a list of all guesthouses and hotels in Alto Paraiso,
and can help you with your accommodation according to your budget.
They can also arrange transport if you want to come
from Brasilia to Alto Paraiso by car.
It costs around R$ 300,00 one way, depending on the size of the car you need.
They can pick you up at the airport and bring
you straight to Alto Paraiso to the guest house of your choice.
You can come to Alto Paraiso by bus
leaving from Brasilia.
There are two bus stations in Brasilia.
You need to get a taxi from the airport to the bus station,
as there are no buses doing this service.
Here is the time for the buses leaving from
Brasilia, passing by Alto Paraiso:
Nova Rodoviaria (next to Park Shopping)
Company Real Expresso – leaves at 10:00 AM and 21:00 PM
Rodoviaria do Plano Piloto (next to Conjunto Nacional)
Company Santo Antonio – leaves at 07:00AM, 11:45 AM and 15:00 PM
Those buses only stop in Alto Paraiso on their way to their final destination,
so don’t miss the stop, or you will end somewhere else.
There are many restaurants to eat in the village.
Average price for a meal is around R$ 15,00.
“Oca Lila” is our favorite for vegetarian food and organics.
“Jato”, "jambalaia", and "Avalon" are a wonderful choices if you eat meat.
They are all very easy to find.
And of course there are other choices as well.
For Festival information contact:
On line booking closed
Further bookings please go to EcoNois, Alto Paraiso, 11:00 AM to 17:00 PM, from Jan. 14th and everyday during the Festival
EcoNois is our Meeting Place
Rua Ari Ribeiro Valadão, the main road of Alto Paraiso next to Banco do Brasil. The check in, donations, sign of the term of responsibility, tickets and the transport to the temple will all be done at EcoNois. For last minute registration, food, sharings, hanging out, visionary Ayahuasca art, indigenous art, etc...
Meet us there!!!
Looking forward to see you!

sábado, 20 de novembro de 2010

Palestrante: A.S.A. Dada


ACHARYA SUVEDANANDA AVADHUTA (Dada), Monge das Philipinas encarregado do departamento da Ananda Marga na América do Sul (caminho de bem-aventurança), Condutor de Kiirtan e Meditação.

Ananda Marga, o Caminho da Bem-Aventurança, é uma Organização Internacional Espiritual e de Serviço Social fundada na Índia em 1955 por Shrii Shrii Anandamurti e conta com milhões de membros em todo o mundo.

Mediante as práticas oferecidas pela Ananda Marga, se desenvolve um excelente estado de saúde, grande força mental e poder de concentração, além de profunda paz e alegria no coração.

A Ananda Marga procura combinar práticas espirituais (meditação, posturas de Yoga, conduta moral e dieta natural adequada) com o serviço dinâmico ao próximo (escolas, clínicas médicas, orfanatos, cooperativas, asilos para idosos e outros projetos para o benefício da humanidade).

Os membros desta entidade procuram desenvolver-se em todos os aspectos da VIDA: físico, mental, moral, social e espiritual para assim contribuir para o melhoramento do planeta.

Seu lema é "Auto-realização e Serviço à Humanidade."

Contato:
Ananda Marga
Travessa Santa Leocádia, 30 - Copacabana
(21) 2255-5549

Palestrante: Alexandre M. Cabral

ALEXANDRE MARQUES CABRAL
Pastor Evangélico, Autor e Professor de Filosofia e Teologia, Doutorando em Filosofia na UERJ.

Contato:
ALXCBRL@yahoo.com.br

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Palestrante: Athamis Bárbara

Athamis Bárbara - Mulher Beija-flor do Clã do Pássaro Trovão. Iniciada na Tradição Ojibway com mestres ainda vivos, também recebe ensinamentos de seus ancestrais através de sonhos. Vive e tem prazer em levar as tradições antigas para o povo da cidade. Trabalha no Rio de Janeiro e em várias capitais brasileras e ministra cursos de formação sobre xamanismo na França e Bélgica há vários anos. Regularmente vai à America do Norte e América do Sul levar as técnicas ancestrais de cura, seja fazendo oficinas de tambores xamânicos, ensinando jornadas xamânicas através do som do tambor, resgatando almas ou fazendo workshops de danças sagradas. É lider de cerimônia e lidera rituais de passagem para homens e mulheres. Enriquece suas vivências com seus estudos socio-psicopedagógicos, arteterapêuticos e de formação de líderes.

Athamis Bárbara, 47 anos, pedagoga, casada, mãe de duas crianças, nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criada no Amazonas. Durante anos, negou sua conexão com seus ancestrais que lhe apareciam em sonhos. Há 14 anos resolveu aceitar essa missão que lhe foi dada e, finalmente, passou a lembrar, primeiro a si mesmo, depois a outros, que somos mais felizes quando descobrimos nossa missão nesse planeta e o quanto nossos ancestrais, nossos aliados de poderes e a comunidade em geral nos podem no cumprimento dessas tarefas. Resgatando rituais ancestrais, hoje ministra aulas de danças ancestrais de diversos povos, facilita rituais de passagens para homens e mulheres e utiliza técnicas xamânicas para resgatar o que há de mais importante dentro de uma pessoa: a si mesmo.

Contato:
barbaratha@hotmail.com
http://athamis.blogspot.com/

Palestrante: Bernadeth Meneses

Bernadeth Meneses (Pombo) é professora e astróloga védica há 20 anos. Sendo nacional e internacionalmente conhecida, e tendo atendido milhares de clientes, Bernadeth Meneses continuamente realiza cursos de Astrologia Védica, Vastu-Shastra, Rasa-Shastra, Mitologia e Filosofia Védica, difundindo assim seus conhecimentos da cultura sem precedentes da Índia Antiga.

A Astrologia Védica é uma das ciências encontradas nos Vedas, as antigas escrituras sagradas da Índia. Conhecida como Jyotish, ou a "Ciência das Luzes", existente há mais de 5.000 anos (vide História). A Astrologia Védica é ainda hoje praticada na Índia e em outros países do Oriente. Grandes eruditos consideram-na o método astrológico de maior índice de precisão, tanto nas previsões quanto na análise dos eventos da vida. Por ter tido amplo desenvolvimento nos últimos 5.000 anos, a Astrologia Védica proporciona inúmeros benefícios àqueles que buscam orientação para suas vidas.

Através da Astrologia Védica, aprendemos, por um lado, a lidar com aspectos importantes de nossa vida, tais como saúde, amor, profissão, finanças, etc., e obtemos, por outro lado, uma visão clara e precisa de nosso caminho evolutivo espiritual. A Astrologia Védica tem como base a filosofia dos Vedas, corpo de conhecimento que trata dos sistemas de Yoga mediante os quais podemos transcender a Lei do Karma; por isso, possui o método mais autêntico de identificar nossas vidas passadas e orientar-nos para que possamos harmonizar nossos potenciais energéticos positivos e negativos.

Contato:
bernadeth@vedajyoti.com
http://www.vedajyoti.com
http://vedajyoti.blogspot.com

Palestrante: Fabiano Txanabane


Fabiano Txanabane.
Índio Curador Huni Kuin - Acre, Amazônia.
Filho do Cacique Siã Huni Kuin, neto do Pajé Sheimutu e do Cacique Sueiro.
Fabiano é um representante da cultura Huni Kuin no Brasil e no mundo.
Viajou para Europa seis vezes realizando palestras, shows, teatro, exposições de fotos e vídeo e rituais espirituais.

Contato:
kaxinawabane@bol.com.br

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Palestrante: Hari Govinda Prabhu


Hari Govinda Prabhu, nasceu em 17 de abril de 1964 no interior de São Paulo, desde muito cedo manifestou interesse por assuntos relacionados à espiritualidade.

No ano de 1980 depois de passar por vários caminhos e seguimentos filosóficos entrou em contato com o vaisnavismo (um ramo da cultura hinduísta) de Sri Chaitanya Mahaprabhu (profeta e místico do século xv), viveu como monge por seis anos recebendo treinamento no conhecimento das escrituras e rituais dos Vedas.

Em 1989 aceitou iniciação na linha de pensamento de Sri Chaitanya Mahaprabhu, então passando a propagar os divinos ensinamentos de seus Mestres por todo o território brasileiro.

Aceitou a sagrada ordem de dedicação (sannyasa) na Índia diretamente das mãos de Srila Govinda Maharaj (acharya do mosteiro Sri Chaitanya Saraswat Math), no final de 1997 na sagrada cidade de nascimento do próprio Sri Chaitanya Mahaprabhu. Viajou aos tirthas ou lugares sagrados como Navadwip, Vrindavan, Puri, Varanasi, Nepal e outras destacadas cidades de peregrinação .

Ao regressar ao ocidente concedeu conferencias na Universidade de Coimbra e Lisboa, visitou também comunidades de devotos por Venezuela, Colômbia, Isla Margarita, México, Itália, Espanha e Trinidad Tobago.

No Brasil tem criado grupos de estudos e praticas de Bhakti yoga por vários estados, iniciando devotos na arte do canto dos santos nomes de Deus e ministrando conferencias sobre os textos sagrados dos Vedas, Ramayana, Mahabharata, Upanishads, Vedanta, etc... dando continuidade no trabalho de alivio iniciado por Srila Bhakti Raksaka Sridhar Dev Goswami Maharaja.

No inicio de 2007 deixando suas responsabilidades como sannyasi missionário aceitou matrimonio com Devi Shakti e juntos estão desenvolvendo as atividades devocionais, entre elas o místico oráculo Taro Védico, terapia Shiva Shakti e a terapia hotri.

Contato:
Ramadas@hotmail.com
(21) 8667-8368 / 3576-5856

Palestrante: Philippe B. de Mello



Philippe Bandeira de Mello é Psicólogo Junguiano e Transpessoal, possuindo formação em Terapia de Vidas Passsadas com Roger Woolger. Foi Diretor Técnico e Supervisor da Casa das Palmeiras, clínica psiquiátrica fundada pela Dra Nise da Silveira. Espiritualista, foi fundador e orientador da Barquinha no Rio de Janeiro. Também fundou e orienta atualmente o Círculo Holístico Arca da Montanha Azul - Espaço Ecumênico de investigação, diálogo e convívio entre diferentes Tradições Sagradas.

Contato:
philippebandeirademello@yahoo.com
http://philippebandeira.blogspot.com/

Palestrante: Sílvia Rocha


Sílvia Rocha 

Psicóloga Transpessoal (crp.05/21756), pós graduada em Psicologia Junguiana (IBMR), percorre o caminho vermelho há 10 anos, tendo sido iniciada na tradição Huni Kuin como Ayani Makuani do Banu Bakê e na tradição Odjibway como Mulher da Estrela Corvo (Raven Star Woman) do Clã da tartaruga.

Há cinco anos e meio coordenando o círculo da lua nova!

Contato: psi.silviarocha@terra.com.br
http://circulodaluanova.blogspot.com

Círculo da Lua Nova
Espiritualidade Feminina
Xamanismo
“Somos mulheres que honram o Sagrado Feminino, ritualizando os ciclos da natureza, vivendo os mitos, através de danças, cantos, oráculos, compartilhares e trabalhos de cura, assim como faziam nossas ancestrais nativas na Tenda da Lua. Nosso círculo acontece numa casa construída em harmonia com a natureza, com a floresta da tijuca nos abraçando. Fazemos fogueira em espaço aberto ou nos reunimos no interior da casa quando chove. Se você sente este chamado Seja Bem Vinda!” - Sílvia Rocha

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Palavras Inspiradas

Palavras recebidas durante um ritual da Arca, Novembro 2010:

    O Tempo agora é de buscar paz no mundo, dá mãos aos irmãos, à natureza, à pacha-mama. Acabar com o ódio que está destruindo família, casal, planeta, o planeta terra está chorando com a atitude de seus filhos. Está jorrando sangue. E a paz só vai começar quando cada filho seu olhar para dentro de si mesmo, mergulhar fundo dentro do seu interior, no lugar onde não existe mais nada só um oceano translúcido de amor, e neste fundo está Deus que é você também. Temos que modificar a forma pensamento e parar de pensar no ódio porque em troca de pensar no ódio só vem mais ódio, pensar na guerra e falar da guerra é o mesmo que apontar uma arma ao seu irmão. O pensar começo no pensamento da paz que gera mais paz, pensar no amor que gera mais amor em uma corrente úni´ca de irmandade. A mãe terra chora, o pai celestial chora, mas não é o fim é o começo de uma nova consciência que pode mudar tudo em direção ao amor, ao recomeço!

    De que adianta pedir graças? Para que adianta rezar lindas orações se não fazemos parte na terra. O amor ao próximo deve ser destinado a próximo e chagar até ele. E esse amor deve ser doado a cada dia, cada ato, cada pensamento em forma de sorrisos, palavra amiga, gesto acolhedor e principalmente caridade! Caridade é o único ato que nos aproxima diretamente de Deus, sem fazer curvas, sem atalhos. Encontro direto com Deus. Mas tem que ser caridade vinda do fundo de dentro deste oceano translúcido de amor. Sem esperar nada em troca, sem pedir nada em troca. Amar não é fazer barganha. Não há barganha para Deus. Ele pode nos ver até o fundo do nosso íntimo porque para ele somos transparentes. E é transparência que ele espera de seus filhos. A oração não deve ser casual em um momento de tristeza, de desespero. Oração deve ser um estado permanente em nossa vida só assim poderá chegar a paz!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Palestra 17-10-10, 15hs: Psicologia na Floresta - seus Símbolos e Mitos

Palestra: Psicologia na Floresta- seus Símbolos e Mitos.
Philippe Bandeira de Mello.
Domingo, 17 de Outubro, 2010, 15hs
Arca da Montanha Azul
Rua Alice 1447 casa 101 - Laranjeiras - RJ
Contribuição: R$25
Contribuição inclui: Palestra e Shows: Banda da Arca, Nena Natal, Fernando Neder e o Coral Orgânico d'AMMOR. 
Lanche vegetariano e integral à parte.

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Philippe Bandeira de Mello é Psicólogo Junguiano e Transpessoal, possuindo formação em Terapia de Vidas Passsadas com Roger Woolger. Foi Diretor Técnico e Supervisor da Casa das Palmeiras, clínica psiquiátrica fundada pela Dra Nise da Silveira. Espiritualista, foi fundador e orientador da Barquinha no Rio de Janeiro. Também fundou e orienta atualmente o Círculo Holístico Arca da Montanha Azul - Espaço Ecumênico de investigação, diálogo e convívio entre diferentes Tradições Sagradas.

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"Psicologia na Floresta- seus Símbolos e Mitos"

Não nos admiremos do fato de que, quando vamos estudar os sonhos, contos, mitos e as lendas folclóricas, nos deparamos uma equação constante de a Floresta representar o imenso manancial de potencialidades latentes escondidos por detrás de nossa realidade psicológica e imaginária.

Mais uma vez, percebemos que a maneira como vamos interpretar tais experiências tem repercussões incalculáveis nas práticas clínicas e pedagógicas, que são derivadas de uma limitada visão da psique. Ao ampliarmos nossa visão, teremos novas chances de aprimorar nossas práticas e as políticas públicas dela derivadas.

“Eis aquilo em que creio: que eu sou eu. Que minha alma é uma floresta sombria. Que o que eu conheço é apenas uma pequena clareira na floresta." D. H. Lawrence

Psicologia na Floresta - seus Símbolos e Mitos por Philippe Bandeira de Mello

                                                         PSICOLOGIA NA FLORESTA
                                                          SEUS SÍMBOLOS E MITOS
                 
                                                            Philippe Bandeira de Mello
    
Ao principiarmos estas reflexões recordamos o dito de Jung: “Muita coisa só se torna inconsciente porque nossa concepção do mundo não lhe dá espaço, porque nossa educação e formação jamais lhe deram estímulo e, se alguma vez apareceu no consciente como eventual fantasia, foi imediatamente reprimida. Os limites entre consciente e inconsciente são em grande parte determinados por nossa cosmovisão.” Isso significa que nossa visão de mundo é seletiva, parcial e, portanto, excludente. Na perspectiva de Jung, o que foi excluído, o manancial do inconsciente, é muito mais do que imaginamos: não é apenas material reprimido. O seu alcance é muito maior do que supomos.
   
Iniciaremos nosso percurso recordando o credo de D. H. Lawrence:
     “Eis aquilo em que creio, diz ele:
      -Que eu sou eu.
      -Que minha alma é uma floresta sombria.
      -Que o que eu conheço é apenas uma pequena clareira na floresta.
      -Que deuses, estranhos deuses, vão da floresta para a clareira do eu conhecido, e depois se afastam.
      -Que devo ter coragem de deixá-los ir e vir.
      -Que não deixarei jamais o meu pequeno ego me dominar, mas sempre tentarei reconhecer os deuses que estão em mim e a eles me submeter, assim como àqueles que estão em outros homens e outras mulheres.”
  
 A psicologia junguiana desemboca em uma perspectiva acerca da alma humana e da relação entre o consciente e o inconsciente, que estão perfeitamente expressas neste credo do famoso autor. Não nos admiremos do fato de que, quando vamos estudar os sonhos, contos e lendas folclóricos e os mitos, nos deparamos uma equação constante de a Floresta representar o imenso manancial de tesouros arquetípicos, de potencialidades latentes, de fatores poderosamente influentes em nossas vidas, escondidos por detrás de nossa realidade psicológica e imaginária, de recursos desconhecidos ou olvidados que constituem, não somente um continente inexplorado como uma fonte dotada de inimaginável quantidade de dados preciosos para melhorar nossa qualidade de vida, como também decisivo de ser conhecido para a solução dos graves problemas que atravessa a humanidade em nossos dias: o desmatamento, a poluição, degradação ambiental a dilapidação dos recursos do planeta, sem falar nas guerras, corrupção, distúrbios e violência social, lixo, poluição e devastação psicológicos, que se apresentam de diversas formas, culminando nas dificuldades de promoção da paz e cooperação, em mais larga escala, pela fragmentação do saber, e pela exclusão das dimensões planetárias, transpessoais e espirituais da psique humana.
   
Conforme nos esclarece Edgar Morin: “Há inadequação cada vez mais ampla, profunda e grave entre os saberes separados, fragmentados, compartimentados entre disciplinas, e, por outro lado, realidades ou problemas cada vez mais polidisciplinares, transversais, multidimensionais, transnacionais, globais, planetários.” Continua ele, fazendo agudo diagnóstico de uma dramática situação da modernidade: “O enfraquecimento de uma percepção global leva ao enfraquecimento do senso de responsabilidade- cada um tende a ser responsável apenas por sua tarefa especializada- , bem como ao enfraquecimento da solidariedade- ninguém mais preserva seu elo orgânico com a cidade e seus concidadãos.” Ao diagnóstico realizado por ele nosso estudo apresenta alguns caminhos e soluções. 
   
Encontramos diferentes abordagens e leituras, possivelmente complementares acerca de como poderemos interpretar esta “floresta” interior, psicológica, que urge decifrar para nos auxiliar em nossa relação com a floresta exterior, o mundo que nos cerca.
  
Temos uma primeira versão que nos exorta a vermos a floresta, com seus símbolos e mitos, como dimensão ancestral, regressiva, pré-lógica, irracional, formulada com conceitos diretamente inspirados pelas percepções mais imediatas, “mágicas”, isto é, supersticiosas, da realidade. Baseiam-se em um pensamento primitivo, “selvagem”, ou regido pelo processo primário, por dimensões arcaicas e/ou infantis da psique. Esta interpretação gera sérias e profundas conseqüências: Associada à arrogância da perspectiva racionalista moderna fundada no antigo paradigma newtoniano-cartesiano, entre equivocadas interpretações etnocêntricas das religiões, das culturas antigas e dos saberes ancestrais em geral, estende, inclusive, o tom depreciativo geral até mesmo às terapias complementares, medicinas tradicionais/populares ou paralelas, como as designa o etnopsiquiatra François Laplantine. Ora, mais uma vez como ocorre em outras esferas da Psicologia, isso presta um desserviço ao entendimento dos fundamentos e do valor inapreciável dos saberes antigos das florestas, dos conhecimentos ancestrais guardados pelos pajés, caboclos, benzedeiras, etc., com toda a fundamentação científica ainda não desvendada que está por detrás da eficácia desses saberes.
   
Mais uma vez, percebemos que a maneira como vamos interpretar tais experiências tem repercussão incalculável nas práticas clínicas e pedagógicas, que são derivadas de uma limitada visão da psique. Ao ampliarmos nossa visão, teremos novas chances de aprimorar nossas práticas e as políticas públicas dela derivadas.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Arca e o arquétipo de Grande Mãe

A Arca e o arquétipo da Grande Mãe

Dentre as inúmeras missões especiais da Arca no alvorecer do III Milênio, a mais recente está em perfeita sintonia com a chegada da Nova Era no sentido do resgate do Sagrado Feminino. Durante uma meditação acerca da postura patriarcal e até machista de muitas Instituições religiosas tive a visão do surgimento de um exército, uma legião de mulheres sábias-guerreiras, que têm a incumbência de guiar os homens no caminho da religação com Deus, para a Terra Prometida.

Desde então fizemos reformulações na estrutura e funcionamento da Arca (já uma Escola Espiritual que se alicerça no ministério da casal) para ressaltar ainda mais o papel  das mulheres, nas lideranças, nos exemplos a serem seguidos, na tônica a ser dada em algumas funções onde os arquétipos  do Feminino e  da Mãe são essenciais e mesmo indispensáveis.

Francis, nosso dedicado devoto arquense, vivenciou e formulou de maneira bela e sensível este mistério em sua “Carta as Zeladoras”.

Carta as Zeladoras
Por Francis Juliati

Caríssimas Irmãs,  primeiramente, quero explicar o significado do termo que empregarei ao me referir a todas vocês nesta carta. “Mataji” é uma palavra sânscrita que quer dizer “Mamãezinha”. E isso é o que todas vocês são desta linda missão, portanto, rejubilem-se. Deus quer gerar no coração de cada uma de vocês a Arca da Montanha Azul.

Matajis, vocês são as sacerdotisas do Fogo Sagrado, a personificação da Grande Mãe que com Amor imensurável está em todo universo. É tempo de vocês deixarem a Deusa falar a nós seus filhinhos. Por favor, ensina-nos, guia-nos nesta Era de Aquário, os filhos precisam de suas Mães firmes ao seu lado para atravessarem a escuridão.

Ó Matajis, estamos mui necessitados de aprender a exercer todas as qualidades maternais, silêncio oportuno, compreensão, afeto, zelo, esperança, constância no perdão, receptividade e muitas outras que vocês ostentam como jóias resplandecentes.

A missão de nossa Casa é árdua, mas, que os seus testemunhos de amor sejam flores fragrantes no caminho, precisamos do leite materno, para podermos nos fortalecer para receber alimento espiritual sólido. Só vocês Matajis poderão nos dar luz para o mundo espiritual.

Ergam-se Matajis recoloquem suas coroas de 12 estrelas, vistam-se de sol, calcem a lua, é tempo de reinar, confiem na Mãe Divina, esqueçam o medo. Todo o tempo de silêncio semeou muitas sementes e este é o tempo da colheita.

Que a força da Virgem Maria, Pachamama, Coatlicue, Yemanjá, Dürga, Kuan Yin, Ísis, Deméter, Hécate, Mayahuel, Tara, Saraswati, Bhumi, Laksmi e todas as personificações do Sagrado Feminino despertem em seus corações.

Com amor e eterna servidão do mais caído filhinho.

Francis Juliati.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

São Francisco de Assis - II

São Francisco de Assis; o lado místico do irmão de Assis.
Por Francis Juliati

São Francisco sem duvida é o ser humano canonizado pela igreja católica mais popular que já existiu. Um romantismo um tanto quanto acentuado cerca a pessoa deste tão nobre homem. Quem já viu o filme Irmão Sol, Irmã Lua, pode ter certa noção disso. São Francisco é visto por muitos como um “riponga medieval” protetor dos animais, que falava com plantas e bichos e que igual a muitos jovens abandonou a casa dos pais em busca de um ideal.
Mas as pessoas que se interessam por espiritualidade devem se desprender dessa visão e buscar conhecer a grande vida mística do Santo de Assis. São Francisco tivera experiências místicas muito fortes e uma vida totalmente em comunhão com o Divino. Ele conseguiu viver em conformidade com os ensinamentos espirituais de várias tradições devido a vivencia diária do amor.
O Sri Isopanisad diz:

Yas tu sarvani bhutany
Atmany evanupasyati
Sarva-bhutesu catmanam
Tato na vijugupsate

“Aquele que vê que tudo está relacionado com o Senhor Supremo, que vê que todas as entidades vivas são suas partes integrantes, e que vê que o Senhor Supremo está dentro de tudo, não odeia nada nem ninguém.”
Sri Isopanisad Mantra Seis.

São Francisco tinha essa visão, por isso, era todo amor para com todos os seres vivos. As pessoas visam muito o lado filantrópico de São Francisco, mas, se esquecem que tudo isso era fruto de uma vida mística no sentido mais profundo da palavra. Ele era um homem totalmente “intoxicado” por Deus, longos eram seus períodos de êxtase em contemplação ao Divino dentro de matas e cavernas. E isso resultava em uma explosão de amor por todos os seres vivos, ele não via a cor, credo, classe social somente via Deus “O Amado” em todos.
Nós que somos admiradores da vida de São Francisco, não podemos esquecer de em qual rocha ela foi talhada.
A vida mística de São Francisco de Assis é desconhecida para maioria de seus admiradores. Talvez possa até ser um tanto quanto desinteressante, para os que estão acostumados com os quadros que retratam um Francisco dançando em meio aos passarinhos.
A Igreja diz que ele foi o homem que mais se assemelhou ao Cristo, e ele não nasceu assim. Pensem naqueles jovens boêmios que viram noites e mais noites na balada, assim era Francesco di Bernadone.
E para nascer o mundialmente conhecido Francisco de Assis o outro falso teve que morrer. São Francisco teve que passar por processos muito difíceis, para quebrantar seu ego, teve que sofrer muitos baques para perceber a efemeridade das coisas deste mundo, enfrentar seus maiores questionamentos, a solidão, a incompreensão. Ele passou por uma intensa jornada de autoconhecimento para enfim conhecer o Amado de sua alma.
São Francisco teve decisão, manteve-se firme, entrou em uma estrada sinuosa, mas seguiu firme, pois queria saber o que havia no final dessa estrada.  
Ele viveu a espiritualidade do amor esponsal, aonde a alma se identifica como esposa do Cristo e é desposada no patíbulo da Cruz. A esposa não é senão um só corpo com o esposo e compartilha todas as coisas com ele. Então uma alma esposada do Cristo vive como Ele, trilha seus caminhos e cumpre a mesma missão. São Francisco recebeu em seu corpo as marcas da crucifixão de Cristo, como sinais de sua união mística com o Divino. Ele foi estigmatizado após uma noite escura, enquanto fazia sua quaresma em honra a São Miguel Arcanjo no alto do monte Alverne, suas mãos, pés e seu lado foram perfurados pelos raios de um Serafim flamejante.
O santo de Assis assumiu o ideal do Cristo para sua vida e manteve-se firme até o fim, tendo o amor como sua lei áurea.
Os escritos de seus contemporâneos retratam muitos acontecimentos místicos que por sua entrega ocorreram. Certa vez, foi revelado a um de seus companheiros que havia um trono muito esplendoroso reservado a São Francisco no mundo celestial, por isso, os franciscanos o chamam de Pai Seráfico. Nos estudos sobre os anjos explica-se que os Serafins são os seres da mais alta hierarquia angélica, eles estão todo o tempo diante da face de Deus.
Assim como Avalokitesvara, boddhisattva da compaixão, São Francisco assiste as esferas de sofrimento, ou o purgatório na tradição católica, com o auxilio da Virgem Maria. Do mesmo modo Avalokitesvara possui o auxilio de Tara. 
O celebre episódio no qual São Francisco convida os pássaros para cantarem as glórias de Deus é muito semelhante ao que ocorre com Sri Caitanya Mahaprabhu, uma das encarnações de Krishna, quando este convida todos os animais da floresta para cantarem os Santos Nomes.
Como podemos ver São Francisco é um ser que ultrapassa qualquer restrição doutrinal e que perfeitamente pode ser aceito por qualquer tradição religiosa, por que se assemelhou totalmente com o Cristo em sua origem.

Então se temos o desejo de um mundo melhor, busquemos o exemplo de São Francisco e sejamos decididos. Busquemos o autoconhecimento, abandonemos o que tiver que ser abandonado, amemos uns aos outros e nos entreguemos à transformação.

“Francisco o mundo tem saudades de Ti”
Papa João Paulo II